sábado, 10 de maio de 2014

Vidas santas unidas pelos desígnios de Deus



Certa vez, a bem-aventurada Nhá Chica recebeu em sua pequenina casa o nobre conselheiro do Império, João Pedreira do Couto Ferraz. Era o ano de 1873. Ele, casado com Elisa Amália de Bulhões Pedreira, fazia-se acompanhar, entre outras pessoas, de sua filha primogênita que na ocasião contava 15 anos de idade e alimentava o desejo de consagrar-se ao Senhor. Era a jovem Zélia, nascida a 05 de abril de 1857.
A família encontrava-se no vizinho povoado de Caxambu para desfrutar das suas ricas águas minerais. A boa fama de sábia conselheira da beata Nhá Chica, que naquele tempo já trespassara os limites da pequena vila Baependi, atraia muitos à sua procura. Aquela ditosa família acorreu ao encontro da piedosa serva de Deus para recomendar às suas orações a jovem menina desejosa de Deus.
Nhá Chica recebeu-os em sua modesta casa e logo depois de «um dedo de prosa» já conhecia as aflições daquela família. Recolheu-se então ao seu quartinho e à intimidade da oração à sua «Sinhá», modo carinhoso como se referia à pequenina imagem da Senhora da Conceição que herdara de sua mãe. Os hóspedes esperavam na sala. Pouco tempo depois, voltou a velha senhora e, sem transparecer sombra alguma de dúvida, pronunciou o oráculo profético:

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Relíquias: o corpo físico tocado pela santidade




Que religião manteria guardados os ossos de pessoas mortas, colocando-os em exposição e esperando que as pessoas viessem beijá-los? O que são as relíquias e por que são tão importantes para os católicos? Eles realmente acreditam na autenticidade destas relíquias?
Uma relíquia é algo associado a uma pessoa que foi canonizada ou beatificada, sendo portanto santa. Existem três categorias de relíquias: uma relíquia de primeira classe é um pedaço dos restos mortais da pessoa. Pode ser um fragmento de osso, cabelo, pele ou sangue. A relíquia é extraída quando o corpo do santo é exumado como parte do processo de canonização. A exumação da Beata Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica, aconteceu em junho de 1998.
Uma relíquia de segunda classe é algum objeto ou parte de um objeto que foi regularmente usado pelo santo durante sua vida terrena. Há muitas relíquias de segunda classe. Podem ser pertences do santo, como roupas, móveis... como aqueles que podemos visitar na Casa onde morou a Bem-aventurada Francisca Paula de Jesus ou no seu Memorial, em Baependi/MG.
Uma relíquia de terceira classe é um pedaço de pano que tocou uma relíquia de primeira classe. Relíquias de terceira classe são normalmente incluídas como partes de cartões de oração produzidos em massa e itens de devoção. Um pano toca a relíquia de primeira classe, em seguida, retiram-se em vários pedaços para que um grande número de pessoas possa ter contato físico com o santo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

1ª Festa Litúrgica da Bem-aventurada Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica



Hoje (14/06/2013), pela primeira vez, toda a Diocese da Campanha, no Brasil, celebra a festa litúrgica de Beata Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica, beatificada no último dia 04 de maio, em Baependi/MG, onde a beata viveu e morreu e onde celebração tem categoria de solenidade.
O ofício litúrgico da Beata Francisca de Paula de Jesus conta com oração coleta própria, aprovada pela Santa Sé: «Senhor, Pai de bondade, que Vos agradais dos humildes e simples, concedei-nos a sabedoria e o amor com que agraciastes a Beata Francisca de Paula, virgem: animados pelos seus exemplos de vida santa, possamos servir-Vos em nossos irmãos e irmãs. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo». E indica um texto dos Escritos de S. Gregório de Nissa, bispo e doutor da Igreja (De instituto christiano: PG 46, 305 A-C), como segunda leitura do Ofício das Leituras, onde se ensina o caminho da santidade por meio da consagração do cotidiano e do serviço aos pobres, exatamente como o fez a nossa beata. O restante deve ser tomado do Comum das Virgens para uma Santa.
       A Beata Francisca Paula de Jesus nasceu em 1808 em São João del’Rey (MG, Brasil). Sendo ela mulher e escrava, não pode estudar e aprendeu o espírito de oração e o amor pelas Sagradas Escrituras de sua mãe, que a aconselhou a consagrar também a sua vida ao Senhor vivendo a castidade, para «cuidar das coisas de Deus e dos pobres». Conhecida como «Nhá Chica», sempre se preocupou em cuidar dos pobres e em acolher as tantas pessoas que a procuravam para pedir conselhos e orações. Tinha especial devoção à Senhora da Conceição e às três horas da agonia do Senhor. Sua oração predileta era a Salve Rainha. A Beata entregou sua alma a Deus em 14 e só foi sepultada no dia 18 de junho de 1895, em Baependi, no interior da Capela por ela edificada à Senhora da Conceição que lhe tinha solicitado tal empresa. Nessa ocasião ela já era conhecida por todos pela sua imensa fama de santidade.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Batismo: início do caminho da santidade

Há mais de 200 anos, mais exatamente há 203 anos, no dia 26 de abril de 1810, uma criança era conduzida à Pia Batismal da Capela de Santo Antônio e ali recebia a graça da filiação divina e o gérmen da santidade. Era a menina Francisca Paula de Jesus, futuramente conhecida como Nhá Chica. Isso aconteceu em sua terra natal, Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, um pequeno povoado próximo a São João del’Rei, onde se situava a Fazenda Porteira dos Vilela, onde nascera.
O Pe. Manoel Antônio de Castro, coadjutor da Matriz de São João del’Rei anotou o ocorrido no Livro de Batismos daquela paróquia: «Aos vinte e seis dias de abril de mil oitocentos e dez, na Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, filial  desta Matriz de São João del’Rei, (…) o Reverendo Joaquim José Alves[1] batizou e pôs os Santos Óleos a FRANCISCA[2], filha natural de Isabel Maria, e foram padrinhos Ângelo Alves e Francisca Maria Rodrigues».

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um rebento entre grilhões: nascimento e infância de Nhá Chica



Nhá Chica, em sua vida, fez a experiência de, na simplicidade, sem grandes feitos, ser reconhecida como alguém que aponta para o infinito, alguém que mostra aqui e agora, no cotidiano da vida, de modo concreto e vivo, o projeto original de Deus para o seu povo, a humanidade.
Francisca de Paula de Jesus foi uma simples mulher, filha de escrava, que viveu mais de 80 anos, durante o último estágio do regime da escravidão negra no Brasil, nas cidades de São João Del’Rei e Baependi, ambas no estado de Minas Gerais.
Nhá Chica, como ficou conhecida, nasceu na “Porteira dos Villelas”, fazenda de porte não muito grande, situada em Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, povoado da Província de Minas Gerais situado a seis léguas[1] de São João Del’Rei, de onde hoje é distrito. Era o ano de 1808, segundo escreve o Dr. Henrique Monat em 1894, após entrevistá-la[2]. Foi batizada em 1810[3], conforme o assentamento paroquial[4].

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Nhá Chica e a proclamação da República: lições para hoje

O termo república refere-se, regra geral, a um sistema de governo cujo poder emana do povo, ao invés de outra origem, como a hereditariedade ou o direito divino. Ou seja, é a designação do regime que se opõe à monarquia.

No Brasil, primeiro país de língua portuguesa a proclamar a República, este fato ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do país, em 15 de novembro de 1889, quando um grupo de militares, liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, depôs o imperador D. Pedro II através de um golpe de estado. Portanto, durante a vida da Venerável Serva de Deus Nhá Chica (1808-1895). E ela mesma contou como foi consultada sobre esse assunto ao Dr. Henrique Monat, médico hidrologista ateu a quem concedeu uma entrevista por ele anotada em tempo real e depois publicada no seu livro “Caxambu”, editado na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, em 1894, 5 anos depois.

Veja o texto numa forma muito próxima do original, com apenas algumas alterações para facilitar a compreensão atual:

sábado, 15 de setembro de 2012

Divulgada a data da beatificação de Nhá Chica


Mas, do que se trata?
No último dia 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, numa sexta-feira, às 15h (como costumava Nhá Chica reunir as pessoas na Capela por ela construída para rezar e meditar a Hora da Agonia), reuniu o povo na Igreja da Conceição, em Baependi/MG S. Excia. Revma. Dom frei Diamantino Prata de Carvalho, ofm, bispo da Diocese da Campanha/MG para anunciar que a Cerimônia de Beatificação da Venerável Serva de Deus Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica, ocorrerá no dia 11 de maio de 2013, um sábado véspera do dia das mães, por volta das 15h, em Baependi/MG na presença dos fiéis que acorrerem e de autoridades civis e eclesiásticas.
Não será novidade se ouvirmos nos meios de comunicação a afirmação seguinte: “no dia tal, Nhá Chica será santificada pela Igreja”, referindo-se à beatificação, como já ouvimos nas grandes redes, há pouco, sobre a Irmã Dulce dos Pobres ou da Bahia. O mesmo se disse do Papa João Paulo II, uma das beatificações mais concorridas da história da Igreja.